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quarta-feira, 28 de maio de 2014

Militância do PSOL se alia a Jean Wyllys contra a candidatura de pastor apoiado por Silas Malafaia

O imbróglio envolvendo a pré-candidatura do pastor Jefferson Barros à Câmara dos Deputados pelo PSOL ganhou um novo capítulo nesta semana. A militância do partido, que apóia o ativista gay Jean Wyllys à reeleição, manifestou-se contra Barros.

Num texto publicado por um dos militantes no Facebook, o pastor Silas Malafaia é acusado de tentar “criar uma falsa polêmica” ao dizer que Wyllys estaria  com medo de perder a eleição para Barros.
“Silas Malafaia, que já está em campanha, tenta criar uma falsa polêmica com nosso deputado Jean Wyllys, acusando-o de ‘pressionar’ o PSOL para que não aceite ‘um pastor’ como candidato. Absurdo! No PSOL tem duas importantes lideranças que são pastores evangélicos: Mozart Noronha, luterano, que foi candidato em 2010 e 2012, e Henrique Vieira, batista, que é vereador em Niterói. Ambos são pastores comprometidos com as lutas do povo e contra todas as formas de opressão, e não usam o templo para enriquecer. Jean Wyllys fez campanha com os dois!”, diz o texto assinado por Tarcísio Motta, militante do PSOL.
Motta afirma que existem “outras razões” para a rejeição da militância do PSOL quanto à candidatura do pastor Jefferson Barros.
“Somos um partido com programa e com princípios, e não uma legenda de aluguel que aceite qualquer candidatura. Qualquer candidatura que defender nossos princípios e programa e tiver apoio da militância pode ser referendada e irá às urnas, independente da sua religião e da sua fé. Não é o caso do cidadão defendido por Malafaia, que por acaso é pastor”, afirmou o militante socialista, antes de acrescentar: “No PSOL não há lugar para o racismo, o machismo e a homofobia. Se o Malafaia quiser buscar um espaço para candidatos que defendam o ódio, como é o caso do seu protegido — que não é rejeitado apenas por Jean, mas pelo conjunto da militância —, o PSOL é o partido errado para ele”.
O pastor Mozart Noronha também se posicionou contra a candidatura de Barros: “O PSOL é um partido sério e ninguém, que não tenha uma história de compromisso com as lutas concretas pela liberdade e não tenha um compromisso claro com o SOCIALISMO E A LIBERDADE tem legenda neste partido. Muito bem já foi dito que o PSOL não é sigla de aluguel para abrigar oportunistas. Um pretenso candidado que tenha vínculos políticos com Silas Malafaia já não serve para o PSOL. Defendemos a liberdade menos a liberdade de destruir a liberdade. Silas Malafaia se não encontrar um partido para o seu protegido funde um. Eu, pastor evangélico e teólogo luterano e Henrique Vieira, pastor evangélico batista, e muitos outros evangélicos nunca nos sentimos discriminados por um só militante do PSOL nem dentro de sua estrutura local ou nacional”.
Num comunicado do PSOL sobre o caso, o pastor Silas Malafaia é tratado como “principal liderança do fundamentalismo homofóbico brasileiro”, e a possibilidade de negativa à candidatura de Jefferson Barros é exposta como algo natural: “As decisões sobre candidaturas, no PSOL, são tomadas coletivamente, através das instâncias democráticas de representação eleitas pelos filiados. Nem o deputado Jean Wyllys nem qualquer outro parlamentar decidem quem pode ou não ser candidato: a decisão cabe ao diretório e à convenção partidária [...] No caso de Jefferson Barros, mencionado numa reportagem da revista Veja (que faz acusações sem ter ouvido as partes envolvidas), o questionamento à postulação dele, que será debatido e decidido nas instâncias partidárias, não é apenas do deputado Jean Wyllys. A militância dos núcleos e setoriais, os demais parlamentares e todas as correntes que integram a chapa majoritária da direção estadual eleita no último congresso com 78% dos votos têm uma opinião comum sobre o caso, de modo que sequer caberá ‘pressão’ alguma. Os motivos do questionamento à pré-candidatura do cidadão Jefferson Barros são vários e não têm nada a ver com a sua religião ou com sua condição de pastor”.
Entenda o caso
De acordo com informações publicadas na imprensa, Jean Wyllys – que em 2010 foi eleito com apenas 13 mil votos e conseguiu a vaga pelo coeficiente eleitoral, já que Chico Alencar teve votação expressiva – teria ameaçado a direção do partido de não se candidatar à reeleição caso o pastor Jefferson Barros obtivesse autorização do partido para tentar a vaga.
Lauro Jardim, jornalista da revista Veja, chegou a afirmar na coluna Radar Online que Wyllys considera Barros um “infiltrado” do pastor Silas Malafaia, com o objetivo de impedir sua reeleição.
Recentemente, Malafaia ironizou Wyllys em seu perfil no Twitter, dizendo que o ex-BBB estava “com medo de perder” a eleição, e classificando a contra Barros como uma “vergonha”.

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